A RELIGIÃO E O CASCO DA TARTARUGA

Atualizado: 19 de Dez de 2020

Quando nos referimos à religião existe uma forte tendência em assimilarmos à igreja, porém, na sua formação institucional. Na verdade, a igreja é composta principalmente também, por sua formação eclesiástica e não somente pelas quatro paredes estruturais.

Vamos falar da igreja instituição. A influência da igreja em decisões no cotidiano que altera a nossa condição social vem desde os tempos em que os reis (autoridades administrativas) se aconselhavam com os profetas e sacerdotes (autoridades eclesiásticas). A partir daí a igreja ditou regras, formalizou conceitos e os impôs à sociedade, definindo a forma de se vestir e comportar menosprezando costumes e culturas locais. Hoje em dia muitas igrejas ainda usam deste artífice intervencionista na intimidade das pessoas e até mesmo de uma família com objetivos convenientes. Apesar de ser distinta nos seus fundamentos, a instituição e a eclesiástica se completam entre si, uma questão de fé e obras. Estas imposições, mesmo tendo objetivos legítimos, geraram aspectos de fragilidade na estrutura espiritual humana. A igreja instituição se tornou absoluta, irrepreensível e até legal. Tornou-se também, ferramenta de persuasão, meio de vida e até mesmo de “aliciamento espiritual”. A instituição percebeu que o ser humano tem uma necessidade constante em crer. Isto é natural e será que se deve aos conceitos de que viemos do nada ou de uma explosão, ocasionando-nos uma crise existencial ou de fato fomos criados por alguém e temos a necessidade absoluta de crer nisto? Esta sendo verdadeira pode-se afirmar que existe um “embrião” que nos liga a quem nos criou e a denominamos religião, não a instituição, mas a eclesiástica que tem a função de “religar” a criatura ao criador. A instituição é apenas uma conveniência, onde existem diversas denominações, sendo cada uma com a sua função social e a sua “cara” intelectual. É exatamente neste aspecto que “pecamos”. Invertemos os papéis crendo que uma simples sociabilidade nos proporcionará crescimento espiritual. Esta é uma crença espúria. No máximo adquirimos expansividade numérica (crescimento horizontal) e ignoramos o crescimento vertical que nos “religa” a Deus e no menor indício de perigo nos escondemos nas quatro paredes da instituição, sem perceber a real necessidade da consciência de criatura. A tartaruga age da mesma forma, tem o seu próprio casco e no perigo eminente, esconde-se. Muitos têm a sua própria instituição e, tal como a tartaruga quando está em perigo, se esconde na igreja instituição.

O que existe de “mágico” nas quatro paredes de uma igreja? Confesso que é gostoso, saudável e necessário a convivência social e a comunhão espiritual que praticamos dentre as quatro paredes. Porém, as únicas paredes que deverão nos proteger e limitar é a do evangelho de Cristo. Não devemos amar a igreja instituição simplesmente, mas, primeiramente amar a Deus acima de todas as coisas e amar ao próximo como a ti mesmo. Nesta condição de discípulos, quando transpomos as paredes da instituição deixamos de ser egoístas e meros religiosos. E a realidade encontrada por aqueles que as transpõem é desafiante e latente. A pior, talvez seja a descrença em algo sólido e que nos equilibre moral e espiritualmente.

A religião é ou pode ser este ponto de equilíbrio, dependendo do que buscamos e como a formamos em nossa consciência.


Venancio Junior

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